Thursday, September 10, 2009

Mito 2: a inspiração como instrumento de trabalho do artista

Vamos despojar-nos dos pedestais de uma vez por todas.

LIXO. Muito lixo. Suor, trabalho e imenso lixo.

Criar é um trabalho sujo. Escrevemos, treinamos, cantamos, tocamos, esculpimos, pintamos, colamos, representamos, actuamos, fotografamos até à exaustão. Por vezes, após meses ou anos a produzir lixo autêntico, surge-nos como que um clarão e no meio de 1000 trabalhos medíocres (mesmo que os outros os achem bons) surge um que toca a essência da nossa manifestação artística... claro que posteriormente utilizamos a relação entre o lixo produzido e a obra manifestada para medir a genialidade do artista... juízo sempre relativo, sintético, ecléctico e duvidoso.

Artistas e Estetas, amem o erro, o lixo produzido durante o percurso! Pois o processo criativo é apenas um e mesmo os momentos menos bons fazem parte dele e são eles que fazem de nós o que somos na nossa plenitude. Por vezes é o lixo estético que nos sugere novas direcções...

Não se escondam atrás de um pedestal oco de perfeição ou de inspiração que se revela frágil à primeira vista!

E tentem novas coisas fora do vosso domínio principal! Por favor, enriqueçam-se! Eu adoro escrever e não me importo de assumir que sou uma nulidade na fotografia e no desenho. É divertido ser realmente má a fazer algo! Os resultados são cómicos e ensinam-me, despertando a minha sensibilidade para outras linguagens.

LIXO! A base de trabalho de qualquer artista, em prol de uma estética libertária e transparente!

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